quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Halitose do Mal

A halitose não é uma doença e, na maioria dos casos, o tratamento é simples: basta fazer a higiene adequada da boca


Por Larissa Coldibeli


Por melhor que tenha sido a noite anterior, quem é que não fica com vergonha de beijar a pessoa amada com aquele bafo matinal? Imagine então o drama de quem sofre com o mau hálito constante, e não apenas ao acordar. A halitose, como é cientificamente chamada, é mais comum do que se pensa: atinge quatro em cada dez brasileiros, segundo a ABPO (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca) e, para piorar, as pessoas que sofrem do problema não percebem, pois as células olfativas acostumam-se com o cheiro.

É bom lembrar que a halitose não é uma doença, e sim, um sintoma de que algo não vai bem no organismo. Existem mais de 72 causas para o problema, que podem ser fisiológicas, como jejuns prolongados e alimentação inadequada; problemas locais, como má higiene e doenças da gengiva; ou razões sistêmicas, como problemas renais ou hepáticos e prisão de ventre. O que muita gente não sabe é que em 95% dos casos, a boca é a grande responsável.
A maior vilã é a saburra lingual, um material viscoso e esbranquiçado que se deposita sobre a língua. Segundo a Dra. Vera Lucia de Brito, periodontista pós-graduada em halitose, o maior problema dos adolescentes é com a higiene. Além da escovação e do fio dental, que são indispensáveis, ela explica como limpar a língua: "Usar a escova de dentes não adianta, tem que ser com o limpador lingual. Se a pessoa não tiver, ela pode improvisar e usar uma colher, como se estivesse raspando a língua. Além disso, o enxaguatório bucal deve ser sem álcool, para não ressecar a boca. Já existem vários no mercado, inclusive os específicos para adolescentes", lembra.

Aparelhos ortodônticos também são vilões do hálito da galera teen. O atrito dos brackets com a mucosa bucal aumenta a descamação das células, que alimentam os microorganismos da saburra. Mas não precisa ficar paranóico e ficar raspar a língua de hora em hora ou depois de cada refeição: "A última escovação do dia é a mais importante. A limpeza tem que ser profunda, porque as bactérias ficam principalmente no fundo, longe da luz e onde há menos oxigênio. Limpar a língua depois de comer dá enjôo", explica a periodontista. Quem tem piercing na língua deve ter cuidados redobrados, principalmente para evitar infecções.
Teste seu hálito!..
Existem vários testes para avaliar o mais objetivamente possível a situação do seu hálito. Um deles, nem sempre possível, consiste em pedir a uma pessoa de sua confiança que avalie seu hálito expirando na direção do seu nariz. Mas para evitar uma situação constrangedora, talvez seja preferível recorrer a uma auto-avaliação. Confira alguns testes:

• Umedeça o pulso com saliva, deixe secar e depois cheire.
• Passe o fio dental entre os dentes. Além do cheiro, observe a coloração do fio. Se estiver alterada, é sinal de algum problema. O fio dental usado deve ser branco e sem sabor.
• Use dois pedaços de gaze. Com um, você segura e força a língua para frente. Com o outro, você esfrega a região posterior da língua. Espere aproximadamente um minuto e cheire.

Se o odor estiver forte, procure um especialista. Mau hálito tem cura.

Fonte: www.drhalito.com


Mas se a higiene não resolver, o médico irá investigar para descobrir as razões do problema. Dra. Vera explica que a dieta também influencia: "Os alimentos muito protéicos aumentam o mau hálito porque têm digestão mais lenta. O ideal é apostar nos carboidratos e comer com mais freqüência". Já os reis do bafo, o alho e a cebola, não prejudicam só quem sofre de halitose, mas qualquer pessoa que os ingira em grande quantidade: "Quando você come alho e cebola, seu hálito fica com cheiro de alho e cebola, mas isso não significa que você tem halitose". O mesmo acontece com bebidas alcoólicas e cigarro.


Ao contrário do que muita gente pensa, apenas 1% dos casos de mau hálito são causados por problemas estomacais. Segundo o gastroenterologista Dr. Rubens Antonio Aissar Sallum, diretor do Serviço de Cirurgia do Esôfago do Hospital das Clínicas da FMUSP, quando isso acontece é por causa do refluxo gastro-esofágico, a doença mais comum do aparelho digestivo: "A halitose é um sintoma atípico, mas relacionado ao refluxo. O diagnóstico é feito por endoscopia, PHmetria e outros exames mais sofisticados. O tratamento pode ser feito com dieta, medicamentos e até cirurgia". Outra idéia comum é de que as pessoas que sofrem de gastrite tem mau hálito: "Pode ser, principalmente porque a maioria dos casos de gastrite é, na verdade, a doença do refluxo que não foi diagnosticada", explica o médico.

Na hora do aperto, quando você vai encontrar o(a) gatinho(a) e não está com sua nécessaire de higiene pessoal por perto, vale recorrer às balinhas e chicletes: "Eles mascaram o hálito. Os chicletes são ainda melhores porque estimulam a salivação", explica a Dra.Vera. As principais conseqüências do mau hálito são sociais. Quando a coisa é escancarada, o dono do bafo tem que conviver com apelidos como "boca de lixo", "boca de esgoto", "bafo podre", "bafo de onça", "bafo de bode", "engoliu um gambá" e daí por diante. Mas se ele ainda não sabe que tem, ninguém tem coragem de avisar. Para ajudar nesta tarefa um tanto constrangedora, o site da ABPO disponibiliza o envio de mensagens de eletrônicas, assim como o site Dê Um Toque. O mau hálito deixa o paciente emocionalmente abalado, inseguro e retraído em seus contatos sociais. A pessoa tende a se isolar, com medo de incomodar os outros ou de levar um fora na hora do xaveco. Por isso, todo cuidado é pouco.

Serviço:

Dr. Vera Lucia de Brito - Periodontista
www.drhalito.com

Dr. Rubens Antonio Aissar Sallum - Gastroenterologista
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255 - 9° andar
Edifício do Instituto Central - ICHC

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Guia da Semana. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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